Por que a batalha contra a pobreza precisa de lucros empresariais?

Image for post
Image for post
Com a ascensão do capitalismo no tempo da revolução industrial, a população humana cresceu enquanto a porção da pobreza caiu. Desde os anos 90, a pobreza caiu no tamanho aboluto. Fonte: OurWorldinData.org

Lucro é a chave da acumulação de capital e o incentivo de inovar e assim da prosperidade. O que é necessário na luta contra a pobreza é a acumulação de capital e a utilização do capital em favor das massas — tudo o que o capitalismo empresarial entrega.

Lucros e perdas

Como enfatiza Ludwig von Mises em suas “Seis Lições” e no seu texto sobre “Lucros e Perdas”, o capitalismo distingue-se da soberania do consumidor. Na economia de mercado, o “rei” do sistema é o cliente. No final das contas são os consumidores que decidem quais empresas vão crescer e quais precisam sair do mercado. Com o voto de comprar ou não comprar, o processo de mercado é, ao mesmo tempo, um processo de seleção de quais empresários recebem a permissão de permanecer e cuidar da estrutura de capital.

O sucesso empresarial é a consequência da escolha dos consumidores. O mercado opera como mecanismo de seleção com um claro critério: os melhores em servir o cliente ganham.

Lucros e prejuízos são o resultado de ideias. Capital só é uma coisa morta. A tese marxista de que o capital “gera” lucro é falsa. Lucros resultam de boas ideias e de sua realização empresarial. Neste sentido o lucro é, como Ludwig von Mises explica, um produto da mente, ele é um fenômeno espiritual e intelectual. Lucro surge como resultado da capacidade do empreendedor de atuar com as incertezas do futuro.

O lucro empresarial é o motor do progresso econômico e, ao mesmo tempo, o resultado do avanço econômico. Apenas uma economia que prospera gera lucros. A pobreza dos países atrasados ​​é a consequência da falta de capital enquanto a falta de capital é a consequência da falta empresas privadas e de empreendedores. Para os países emergentes saírem da armadilha da renda média, não mais estado é a solução, mas sim mais livre mercado a iniciativa privada.

Papel do empreendedor

É no interesse de todos que os fatores de produção devem estar sob o controle de quem sabe o melhor jeito de utilizar os fatores de produção: capital, trabalho e tecnologia. A concorrência no mercado livre serve para escolher quais são os melhores cuidadores do estoque de capital de uma nação.

O capitalismo é um sistema econômico onde o empreendedor guia a empresa segundo o comando de lucro e prejuízo. O tamanho do lucro é determinado pelos consumidores. As exigências de lucro e prejuízo obrigam o capitalista a empregar o seu capital em favor dos consumidores. Em última instância, são as decisões dos consumidores que determinam qual empresário vai sofrer um prejuízo e quem vai desfrutar de um lucro. Lucro e prejuízo são ferramentas da soberania do consumidor. A economia de mercado funciona como mecanismo de seleção permanente em favor da alocação dos recursos onde há o maior grau de produtividade e de bem-estar.

Para empresas privadas, o tamanho do lucro depende do grau em qual uma empresa opera de forma eficiente e que o seu produto seja útil em satisfazer os gostos do público. Prejuízo para um negócio é o resultado da ausência de compradores e, como tal, é um sinal de que a empresa deve mudar o seu desempenho gerencial. O prejuízo força os donos a iniciar mudanças. Se não, a empresa irá desaparecer do mercado. É a marca notável do capitalismo que, sob este sistema, apenas as empresas que melhor servem os clientes podem-se tornar ricas. A concorrência capitalista é eliminatória. Os maus jogadores precisam sair do torneio e ceder lugar para os melhores jogadores.

O capitalismo puro torna ricos aqueles empresários que empregam o capital na melhor maneira possível para a satisfação do público. A riqueza de um capitalista é o resultado de lucros extraordinários. Estes lucros, por sua vez, são o resultado de previsão extraordinária e do uso de capital para o benefício do público.

A fim de acumular riqueza, o empresário bem-sucedido deve reinvestir seu capital. O capitalista deve poupar para atingir mais riqueza. Transformar uma empresa de pequeno porte em um grande negócio requer a acumulação de capital e, como tal, poupança e reinvestimento de lucros.

Mercados abertos

Para ter sucesso, a empresa privada precisa ser vista como um passo dentro de um conjunto de medidas para estabelecer uma economia de livre mercado. Para funcionar bem, precisa-se acompanhar as privatizações com a abertura de mercados — incluso comércio internacional livre –, com desburocratização e com a flexibilização do mercado de trabalho, além de estabelecer e manter um sistema monetário estável que, em sua vez, proíbe uma carga fiscal pesada.

Na economia de mercado há um plebiscito permanente referente a estas ideias dos empreendedores. Empresas privadas precisam responder aos desejos dos consumidores porquanto são estes que indicam suas preferências pelos atos de compra. A escolha democrática na política é sistematicamente pior do que a decisão no mercado. Enquanto a maioria das decisões de compra permitem a correção e a substituição imediatamente ou no curto espaço de tempo, as decisões políticas têm consequências de longo prazo que geralmente vão além do controle e do horizonte intelectual do eleitorado.

Uma condição importante para que o sistema de mercado funcione adequadamente é o acesso aberto aos mercados pelas novas empresas e pelos novos empreendedores. Interferência do governo por regulamentações excessivas e por outras barreiras dificultam a eficiência do mercado.

Mercados não são perfeitos — e igualmente nem os empresários nem os consumidores. A produção capitalista não pode cumprir todos os desejos ou necessidades de cada pessoa. Nenhum sistema pode. O sistema de mercado não elimina a escassez para todos, porém o sistema de mercado é aquela ordem econômica que melhor lida com a presença universal da escassez.

A meta da atividade econômica é a prosperidade. Quando se analisa o tema neste sentido, a resposta é clara. O voto em favor da privatização segue do insight de que a propriedade privada nos meios de produção — e assim a privatização — garante, muito melhor que qualquer forma de socialismo ou estatização, o progresso econômico e a prosperidade para todos.

Privatizar por quê?

A controvérsia sobre privatização e estatização é um exemplo da atitude anticapitalista que ainda existe no Brasil. Parece que não é a estatização que precisa da justificação, mas sim a privatização. Mesmo assim, entre os fatores que atrapalham o progresso econômico do Brasil, a mentalidade anticapitalista é o maior fator. Quase todos os outros obstáculos (regulamentação, tributação, leis trabalhistas) que inibem o progresso econômico do país são o resultado da mentalidade anticapitalista. Superar a mentalidade anticapitalista é o grande desafio para o Brasil e quando sucede, o caminho pela prosperidade está aberto. A discussão sobre privatização é o teste atual neste debate.

O problema fundamental da mentalidade anticapitalista referente as privatizações é que esta atitude se posiciona eticamente enquanto o assunto é da natureza prática. Privatizar ou estatizar são medidas alternativas, não objetivos.

Privatização é uma medida, não uma meta. Privatização como medida serve para submeter uma empresa sob o controle do público. Como tal, são os clientes que, por comprar ou abster-se de comprar, determinam quais empresas ficam no mercado e quais precisam fechar.

A privatização de uma empresa reestabelece a soberania do consumidor. Pelo mecanismo de lucros e prejuízos, os juízes das empresas, numa economia de mercado, são agora os próprios consumidores e não mais os políticos. Enquanto de jure os donos das empresas numa economia de mercado são os proprietários, economicamente, os consumidores são de facto os verdadeiros donos das empresas.

Conclusão

A redução da pobreza no mundo é o resultado da expansão do capitalismo. Eliminar a pobreza que ainda há, requer mais capitalismo. O capitalismo livre é o caminho da prosperidade. Não o capitalismo é o problema, mas sua falta.

Written by

Dr. Antony P. Mueller is a German professor of economics who currently teaches in Brazil. See his website: http://continentaleconomics.com/

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store