Prefácio de “Fundamentos do Anarco-Capitalismo. Uma Nova Ordem para o Brasil e o Mundo”

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O socialismo foi experimentado na Europa, na Ásia e na África. Que também falharia na América Latina, não é uma surpresa. Apesar de seu cartão de pontuação desastroso, o socialismo ainda tem seus seguidores. Em negação da realidade, socialistas e comunistas tentarão repetidas vezes realizar a sua utopia fracassada. A última baixa de uma tomada socialista é a Venezuela. No entanto, até mesmo a riqueza da Venezuela não pôde impedir a marcha para o abismo. Onde quer que o socialismo tenha sido tentado levou à miséria e à supressão.

O socialismo não foi a resposta adequada para os desafios do século passado, ele será menos a resposta correta aos desafios do novo milênio.

Mais capitalismo livre é o futuro, não mais socialismo. O passado mostrou que, diferente do socialismo, onde quer que um povo adotasse o capitalismo, a riqueza se espalhava. Quanto mais capitalismo livre, mais próspero o povo se tornaria.

No passado, porém, nenhuma nação abraçou o capitalismo por inteiro. Em vez do capitalismo verdadeiro em sua forma livre como anarco-capitalismo com uma economia de ‘laissez-faire’, o Capitalismo de Estado socialdemocrata tornou-se o sistema econômico predominante até hoje em dia.

Socialdemocrata em intenção e em conteúdo e organizado como capitalismo de Estado, mesmo os chamados países avançados não têm um capitalismo autêntico. Enquanto alguns países se aproximam do ideal do capitalismo puro, outros estão mais distantes. A maioria dos países modernos oscila em torno de um sistema de governança que é de caracterizar como ‘Capitalismo de Estado social democrático’ (‘socialdemocratic state capitalism’). Como outro conceito serve a expressão “fascismo democrático”.

No entanto, a era socialdemocrata está chegando ao fim.

O capitalismo de Estado social-democrático não pode sobreviver. Ele está indo à falência. Este tipo de governança precisa para existir cada vez de mais dívida pública. Quando a acumulação da dívida do estado atinge seu limite, o sistema deve entrar em colapso. Estamos perto deste ponto de inflexão, onde quase não há mais um estado com finanças públicas sólidas.

Parece que não haverá uma mudança do sistema atual enquanto houver ainda uma gota de mais dívida pública disponível para os governos. Os governos não aplicam correções quando ainda há tempo de fazer uma reviravolta. Insight não prevalecerá. Embora o colapso seja evitável, não será evitado. A lógica interna do sistema inibe sua modificação.

É preciso uma grande crise para fazer uma grande mudança. A mudança para o anarco-capitalismo e para um sistema de seleção dos representantes legislativos pela loteria (“demarquia”) seria uma grande mudança. A hora de abandonar o Capitalismo de Estado social-democrático ocorre quando um governo após governo precisa declarar falência. O livro “Fundamentos do Anarco-Capitalismo. Uma Nova Ordem para o Brasil e o Mundo” é um texto preparativo para este acontecimento. A próxima grande crise vai ser a hora dos libertários. Porém, para este acontecer é preciso ser preparado intelectualmente.

O grande perigo é tomar o caminho para ainda mais socialismo. O pior que poderia acontecer na confrontação com a grande crise da dívida pública seria um recuo na história para um Capitalismo de Estado ainda maior e um socialismo ainda mais abrangente. As nações que escolherem este caminho estarão condenadas a pobreza e a supressão. O sofrimento do povo pode até ir além do que aconteceu sob o regime comunista no passado.

O caminho para um futuro melhor não é mais socialismo, mas sim mais capitalismo. O presente livro delineia uma ordem na qual os representantes do povo são selecionados por sorteio, onde todas as empresas são privatizadas e o sistema judicial, o aparato interno e externo de segurança, a educação e a saúde, e também o governo estão de caráter privado, baseados em princípios de mercado e não do comando.

Sob a supervisão da Assembleia Geral, que é composta de membros escolhidos aleatoriamente, o governo é terceirizado para uma empresa de administração do governo privado (‘private government management company’) que — diferentemente dos atuais políticos partidários — desfruta da perícia para conduzir um governo racional. Estas empresas do governo privado atuam num mercado competitivo para ser contrato pela Assembleia.

Mais que outras regiões, o Brasil e outros países de América Latina podem ser os pioneiros neste tipo de governança. Os povos latino-americanos sofreram o suficiente com políticos criminosos, incompetentes, corruptos e fracos. Sem grandes barreiras naturais à criação de riqueza, as pessoas na América Latina foram mantidas pobres por seus governos. Governo sem políticos deve aparecer como libertação.

Seja monarquia ou democracia, seja comunismo do fascismo, nenhum desses regimes trouxe a prosperidade esperada para o povo da região. Em vez de fechar a distância até a parte norte do continente, a brecha se tornou mais ampla e, em vez de ter uma decolagem como em alguns países da Ásia, a estagnação ficou o sinal do subcontinente americano.

Ainda, não estamos no final da história. A civilização ocidental não para na Califórnia. O caminho do progresso político que começou com a civilização grega e cresceu na Europa e floresceu na América do Norte ainda há de incluir a América Latina. Cabe agora à América Latina continuar a tocha da liberdade e se tornar o novo anfitrião da liberdade e da prosperidade. Enquanto a Ásia pode continuar a se tornar mais próspera ao custo da liberdade, a América Latina deve mostrar ao mundo que uma região se pode tornar ainda mais próspero com a liberdade.

Do México à Argentina e incluso todo o Caribe, a região latino-americana é grande e diversificada o suficiente e, em grande parte, longe de ameaças imediatas de guerras. América Latina possui uma constelação que facilita a vitória do libertarianismo porque há alguns países grandes e alguns pequenos da região que podem começar com uma experiência que o mundo nunca viu. A grande contribuição da América Latina, sua missão histórica, poderia ser tornar-se o pioneiro do anarco-capitalismo e da demarquia.

O Brasil, em particular, parece estar predestinado a assumir um papel de liderança neste processo histórico. Ideologicamente flexível, individualista, amplamente educado e dedicado, o povo brasileiro pode encontrar sua missão histórica em provar ao mundo que o capitalismo livre em combinação com um governo privado não apenas funciona, mas que traz prosperidade e liberdade para o povo.

Neste livro sobre os “Fundamentos do Anarco-Capitalismo” se descreve os passos decisivos que precisam ser tomados para chegar a esse futuro esplêndido. O que está à frente é uma revolução pacífica. A vitória pode vir sem mártires. Tudo o que é preciso para seguir o caminho é coragem e confiança.

(Este texto baseia-se no Prefácio do livro (online e capa) “Fundamentos do Anarco-Capitalismo. Uma Nova Ordem para o Brasil e o Mundo” kdp 2018)

Written by

Dr. Antony P. Mueller is a German professor of economics who currently teaches in Brazil. See his website: http://continentaleconomics.com/

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